Recentemente, foram assinados acordos entre Brasil e Índia que abrangem diversos setores do mercado de ambos os países. Como esses acordos irão afetar a relação entre os países daqui pra frente?

Como os acordos entre Brasil e Índia podem beneficiar a economia brasileira? Saiba mais neste artigo!

Em janeiro de 2020 , Um total de 15 acordos entre Brasil e Índia foram assinados visando impulsionar a cooperação entre os países em uma gama de áreas que abrange desde o comércio até a cibersegurança.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, considera o Brasil um parceiro valioso para o crescimento econômico da Índia e, apesar da distância que os separa, os dois países são próximos em várias questões.

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e o ministro indiano de Relações Exteriores, S. Jaishankar, também dialogaram para buscar maneiras de expandir a parceria entre os países.

 

Brasil e Índia: relações comerciais

Nos últimos anos, Brasil e Índia têm fortalecido seus laços. Os principais produtos de exportação indianos para o Brasil incluem agroquímicos, caldeiras, máquinas e aparelhos mecânicos, componentes e peças de automóveis, reatores nucleares, produtos farmacêuticos, diesel, petróleo e produtos têxteis (fibras sintéticas, algodão, etc.). Já as exportações brasileiras para a Índia incluem petróleo bruto, derivados de petróleo, ouro, minério vegetal, óleo vegetal e açúcar.

Em 2018, os investimentos indianos no Brasil totalizaram US $ 6 bilhões, enquanto os investimentos brasileiros na Índia foram estimados em US $ 1 bilhão.

O Brasil investe nos setores de automóveis, TI, mineração, energia e biocombustíveis da economia indiana. Já a Índia investe em TI, energia, agronegócio, mineração e engenharia no mercado brasileiro.

O Brasil se tornou um dos mais importantes parceiros comerciais da Índia em toda a região da América Latina e Caribe. O comércio bilateral entre os dois países é de US$ 8 bilhões.

 

Brasil e Índia: relações diplomáticas

As relações diplomáticas entre Brasil e Índia datam do ano de 1948. Desde então, os países mantêm uma duradoura parceria estratégica baseada em uma visão global comum, em valores democráticos e no compromisso de promover crescimento econômico com inclusão social visando o bem-estar da população.

Sendo assim, a presença do presidente Jair Bolsonaro como convidado do desfile do Dia da República indiano em 2020 reforça a relação entre Brasil e Índia.

É possível dizer que Brasil e Índia estão associados desde o século XVI. Na época da chegada dos portugueses nas terras que hoje são o Brasil, houve um intercâmbio nas áreas de agricultura e pecuária em decorrência das viagens portuguesas de um território a outro.

Já no século XX, durante a Guerra Fria, Brasil e Índia adotaram posicionamentos parecidos, sendo contrários, por exemplo, ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares. A parceria estratégica entre os dois países se fortaleceu cada vez mais conforme eles se uniram no BRICS, IBAS, G4, G20 e também na ONU.

Brasil e Índia (juntamente com Alemanha e Japão) buscam possuir assentos permanentes no Conselho de Segurança da ONU e trabalham para construir um mundo multipolar no qual países em desenvolvimento podem enquadrar regras globais, ocorrendo assim a democratização de instituições internacionais.

Um dos acordos entre Brasil e Índia é o Acordo sobre Cooperação em Assuntos Relativos à Defesa, assinado no ano de 2003, voltado para promover a cooperação em assuntos relacionados à defesa, como pesquisa e desenvolvimento, aquisição e apoio logístico entre os dois países. Além disso, o acordo também abrangeu a criação do Comitê Conjunto de Defesa, o qual se reúne até hoje.

 

Brasil e Índia: diferenças

Ao longo das décadas, a relação entre Brasil e Índia permaneceu praticamente estável. No entanto, alguns problemas surgiram.

Em 2019, o Brasil apresentou uma queixa na Organização Mundial do Comércio contra os subsídios de Nova Délhi aos produtores de cana-de-açúcar.

Atualmente, o Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de cana-de-açúcar e afirmou que os subsídios indianos são inconsistentes com as regras comerciais globais.

Uma outra questão é decorrente do fato de Brasil e China terem uma parceria comercial muito forte, sendo difícil para a Índia competir com a gigante potência asiática.

Além disso, não há acordos entre Brasil e Índia no que diz respeito às mudanças climáticas, portanto a cooperação entre os países nesse tema é dificultada. Enquanto a Índia se compromete a combater o aquecimento global, o Brasil rejeita estudos científicos que demonstram o impacto das mudanças climáticas.

 

Brasil e Índia: futuro da parceria

Além de todos os avanços que já aconteceram entre Brasil e Índia, ainda há outras áreas a serem exploradas e aprimoradas por meio da cooperação entre os dois países.

Um Acordo de Assistência Jurídica Mútua (MLAT) sobre crimes, além de acordos sobre prevenção de dupla tributação, produção de bioenergia ou etanol, segurança cibernética, saúde, mineração, exploração de petróleo e gás, investimentos e criação de animais podem fortalecer os laços entre Brasil e Índia nos próximos anos.

A operacionalização do Contrato de Seguridade Social (SSA), assinada entre Brasil e Índia em 2017, permite que os países façam investimentos nos fundos de pensão uns dos outros, visando melhorar o panorama econômico, criar mais oportunidades e incentivar um maior fluxo de investimentos.

A respeito de questões envolvendo saúde, educação e infraestrutura, ainda há bastante a ser abordado, dialogado e acordado entre Brasil e Índia. Tendo o IBAS e o BRICS como suas principais plataformas, os dois países podem, futuramente, apresentar planos e acordos relacionados a essas áreas.

 

Índia: perspectivas para a economia

A perspectiva é de melhora na economia indiana em 2020, em razão de algumas medidas tomadas pelo governo e pelo Banco Central da Índia e também da redução das tensões comerciais globais. Espera-se que a adoção de uma política fiscal flexível também possa gerar consequências positivas para a economia.

Dessa forma, é possível que a desaceleração econômica seja superada e uma recuperação gradual comece a ocorrer, possibilitando assim um cenário econômico mais favorável do que o de 2019.

A desaceleração na Índia está relacionada às condições de crédito, sendo esse um problema cíclico, não estrutural. Portanto, para o país será um desafio conseguir aumentar em 5% o seu PIB em 2020.

A Índia é um país protecionista e até poucos anos atrás era considerada a economia com o crescimento mais rápido do mundo. No entanto, entre 2019 e 2020, o país viu sua taxa de crescimento diminuir.

Isso foi atribuído em grande parte à desaceleração dos investimentos, que se expandiu para o consumo, impulsionada por questões financeiras desfavoráveis relacionadas às famílias rurais e também pela fraca criação de empregos.

Índia e Brasil são países emergentes que mantêm princípios semelhantes sobre democracia, direitos humanos, política internacional e estratégias liberais. Eles são fortes parceiros comerciais com relações firmemente estabelecidas, e espera-se que seus laços se fortaleçam cada vez mais.

Uma relação que traz benefícios mútuos, evita prejuízos e conflitos, fornece proteção e informação, além de abrir caminho para investimentos capazes de modificar setores da economia trazendo prosperidade para ambos os países, precisa ser valorizada e aproveitada.

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