Em 29 de dezembro de 2019, 4 pessoas deram entrada no hospital de Wuhan, uma das maiores cidades centrais da China com mais de 11 milhões de habitantes, eram os primeiros casos de coronavírus, mas como este vírus podem interferir nas exportações do Brasil?
Essas 4 pessoas tinham em comum um caso estranho de pneumonia muito grave, que deu negativo para todo tipo de vírus e bactérias respiratórias comuns. Porém, o mais preocupante, é que os 4 trabalhavam na feira de pescados de Wuhan, uma feira que vende praticamente todo tipo de animal marinho.
O coronavírus vem causando pânico no mundo todo, e medo inclusive de viagens internacionais, mas como essa pandemia pode interferir no Brasil, mesmo nós estando tão longe da China? Como isso pode nos afetar economicamente? Veja abaixo se o coronavírus pode ou não interferir nas exportações do Brasil.
O que é o coronavírus?
Os coronavírus são uma grande família de vírus que podem deixar humanos e animais doentes. Esse vírus causa doenças que podem variar desde um resfriado comum até doenças mais graves, como pneumonia.
O coronavírus tem sido chamado de “novo” porque é uma variação nova do vírus, que vem sendo chamada de Wuhan 2019. Esse vírus já causou problemas no passado e causou outros surtos de doenças respiratórias, como a Síndrome Respiratória no Oriente Médio (MERS) e a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS).
Sintomas
Os sintomas podem variar de doença leve gripe a uma pneumonia grave. Algumas pessoas se recuperam facilmente e outras podem ficar muito doentes muito rapidamente, principalmente idosos e pessoas que já sofrem de alguma outra doença. Os principais sintomas do coronavírus incluem:
- Febre;
- Sintomas gripais, como tosse, dor de garganta e fadiga;
- Falta de ar.
Como se espalha
Há evidências de que o vírus se espalha de pessoa para pessoa, mas principalmente pelo ar com partículas de espirro ou tosse. Também, o vírus provavelmente está espalhado por:
- Contato próximo com uma pessoa infecciosa;
- Contato com gotículas da tosse ou espirro de uma pessoa infectada;
- Tocar em objetos ou superfícies (como maçanetas ou mesas) que tossem ou espirram gotas de uma pessoa infectada e, em seguida, toque sua boca ou rosto.
Os riscos do coronavírus
A maioria dos casos do novo coronavírus são de pessoas que moram na cidade de Wuhan, na província de Hubei, na China. Mas, pesquisadores do centro de controle de doenças local da cidade, checando casos de pacientes com pneumonia, descobriu que desde o começo de dezembro, algumas pessoas estavam sendo internadas por causa dos sintomas do coronavírus.
Grande parte dessas pessoas são trabalhadores da feira de pescados ou parentes dessas pessoas. Por isso, que em 19 de janeiro de 2020 o número de casos de pessoas afetados pelo coronavírus passou para centenas.
Em 26 de janeiro de já tínhamos mais de 2 mil casos da doença confirmados, 49 já haviam se recuperado totalmente, mais 56 mortes pelo coronavírus já haviam sido confirmadas. Isso tudo, em províncias chinesas e em mais de 14 países.
É importante ressaltar, que o coronavírus não vem preocupando pelo número de mortes, mas sim porque debilita muito quem é afetado, principalmente os profissionais da saúde que são importantes nestes casos.
Também, o vírus é especialmente letal para idosos e pessoas que já sofrem de doenças pré-existentes, como doenças no coração, diabetes e outras.
O acordo de exportações do Brasil e China
No dia 2 de novembro de 2019, a agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a China Entry-Exit Inspection and Quarantine Association (CIQA), assinaram um memorando para capacitação de empresas brasileiras com o objetivo de auxiliar e favorecer as exportações entre Brasil e o mercado chinês.
O acordo, foi assinado durante um seminário promovido pela Apex-Brasil em Xangai que debateu questões de segurança alimentar, realização de seminários internacionais e treinamento para as empresas sobre regulamentações necessárias dos produtos agronegócios destinados ao mercado chinês.
De acordo com a Apex-Brasil, o objetivo desse acordo de exportações do Brasil com a China é consolidar uma parceria estratégica e uma posição de liderança para o agronegócio brasileiro no mercado chinês.
O coronavírus pode interferir nas exportações do Brasil?
A resposta se o coronavírus pode ou não afetar as exportações do Brasil com seu acordo com a China é: depende. O mundo todo vem sofrendo influências negativas com o que está acontecendo na China e isso é principalmente ruim para a economia mundial.
Isso porque, 90% do que é consumido no mundo é produzido ou passa por algum processo de produção na China. Assim, uma das principais influências do coronavírus é que os produtos importados, principalmente os eletrônicos, tendem a ter um aumento de preço considerável nos próximos meses, caso a situação não seja controlada de forma eficaz.
Também, outra questão na economia brasileira é que, o dólar vem fechando em alta e a bolsa em queda, desde que o coronavírus veio à tona. Isso, também afeta no preço de produtos importados, mas também afeta o mercado nacional, afetando assim, o preço de alimentos e do petróleo.
Com relação às exportações do Brasil e China o que temos é um atraso nas negociações, pois, ambos os países estão com medo, e com razão de fazerem negociais. Mas, o acordo ainda está de pé.
Porém, um setor que pode ser favorecido brasileiro que pode ser favorecido com a crise do coronavírus no Brasil é o da agropecuária. Isso porque, os frigoríficos esperam um aumento na exportação de carne para a China e países orientais devido ao medo do consumo de carnes locais. Já que, a principal suspeita de como o coronavírus se espalhou, é que ele tenha tido sido disseminado pelos peixes e animais marinhos vendidos no mercado de Wuhan.
Assim, o mercado de carnes e enlatados brasileiros, pode se beneficiar e muito com esta situação, já que até então o Brasil não possui casos confirmados da doença e já possui acordos fechados com a maioria dos países afetados.
O coronavírus vem derrubando o preço das exportações
Como explicado acima, o coronavírus vai sim afetar exportações do Brasil, principalmente nos valores dos produtos. Isso porque, as negociações nos portos tendem a ficar mais caras, o que retém os produtos em nosso mercado.
Desde janeiro, o preço da soja em grão caiu 5,13%, o do petróleo 15,5% e o minério de ferro 14,3% mais barato. Esses três produtos juntos responderam a 78% das exportações brasileiras, o que dá mais de US$ 177,3 bilhões.
De acordo com Welber Barral, sócio da BMJ Consultores Associados e ex-secretário de Comércio Exterior, o tempo em que a epidemia de corona durar será crucial para o mercado de exportações brasileiras em 2020.
Como se prevenir contra o coronavírus
Agora que você já sabe como o coronavírus afetará as exportações do Brasil, é hora de saber como se proteger dele, mesmo até então não termos casos confirmados no nosso país. Como ela é um vírus, como o da gripe, os cuidados são praticamente os mesmos para não ser contaminado.
Não é recomendado o uso de máscaras cirúrgicas, aquelas brancas, para pessoas saudáveis, já este tipo de máscara não protege contra o vírus. A máscara, caso você este de viajar de avião marcado, que você deve usar é a N-95.
Também, é altamente recomendado praticar uma boa higiene para se proteger contra o vírus. Uma boa higiene inclui:
- Lavando bem as mãos frequentemente com água e sabão;
- Usar álcool gel várias vezes ao dia;
- Usando um lenço de papel e cubra a boca quando tossir ou espirrar;
- Evitando contato próximo com outras pessoas, como tocar;
- Em regiões de perigo, como aeroportos, cobrir o rosto com máscaras;
- Isolar os doentes.
Era esperado que uma pandemia viral como o coronavírus na China, país responsável por boa parte da produção do mundo, fosse afetar as exportações do Brasil. O que temos que fazer agora é torcer para que os médicos e cientistas encontrem uma cura e vacina para esta doença, para que ela seja contida e que danos mais graves não sejam causados a economia brasileira e mundial.
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