Quer entender mais sobre a relação entre esses dois países e tirar suas dúvidas a respeito de uma possível guerra entre Irã e EUA? Leia este artigo até o final!
São muitos os fatores que levaram às circunstâncias atuais entre Irã e EUA. Conheça alguns deles e saiba como um conflito entre esses países poderia influenciar os rumos da economia brasileira.
Entre as muitas preocupações que vêm à tona quando pensamos na possibilidade de uma guerra entre duas potências mundiais, uma delas é como esse evento pode afetar a economia de outros países. Essa é uma das razões pela qual a possibilidade de guerra chama a atenção do mundo todo.
Por isso, diante das últimas notícias abordando a crescente tensão entre Irã e EUA, duas nações que exercem importantes papéis em seus cenários locais e também se destacam em questões mundiais. Mas que já por muitas décadas não possuem uma relação estável, os países que de alguma forma mantêm relações com os citados acima tentam compreender a situação e os possíveis desdobramentos dela.
Guerra entre Irã e EUA: histórico da relação entre os países
Anos 2000
Em 2002, um grupo de oposição iraniano revelou que o Irã estava desenvolvendo instalações nucleares, dentre elas uma usina de enriquecimento de urânio. Então, os EUA acusaram o Irã de estar trabalhando em um programa clandestino de armas nucleares, acusação essa negada pelo país.
A partir daí, o Irã e o órgão de vigilância nuclear da ONU mantiveram uma relação instável por alguns anos. Além disso, diversas sanções foram impostas pela própria ONU e também pelos EUA e UE contra o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Uma das consequências disso foi a forte desvalorização da moeda iraniana.
2013-2016
Em setembro de 2013, um mês após a posse do novo presidente iraniano Hassan Rouhani, ele e o então presidente dos EUA, Barack Obama, tiveram uma conversa por telefone.
Já no ano de 2015, depois de muita diplomacia, o Irã entrou em um acordo a respeito do seu programa nuclear juntamente com um grupo que inclui as seguintes potências mundiais: EUA, Reino Unido, França, China, Rússia e Alemanha.
Nesse acordo, o Irã concordou em diminuir sua atividade nuclear e permitir que inspetores internacionais conduzissem inspeções, conseguindo em troca a suspensão de duras sanções econômicas.
2018-2019
Em maio de 2018, o presidente dos EUA, Donald Trump, decidiu abandonar o acordo nuclear, restabeleceu sanções econômicas contra o Irã e ameaçou fazer o mesmo com países e empresas que continuassem a comprar o petróleo iraniano. Em consequência disso, a economia do Irã entrou em uma profunda recessão.
As relações entre Irã e EUA pioraram em maio de 2019, quando os EUA reforçaram as sanções contra as exportações de petróleo iraniano. Porém, o Irã decidiu reagir. Nos meses de maio e junho de 2019, explosões atingiram seis navios petroleiros no Golfo de Omã e os EUA levantaram acusações contra o Irã sobre esse fato.
Também em junho, as forças iranianas abateram um avião militar americano que voava sobre o Estreito de Ormuz. Os EUA disseram estar voando sobre águas internacionais, já o Irã afirmou que o avião voava sobre seu território. Já em julho, o Irã começou a abandonar os principais compromissos firmados no acordo nuclear alguns anos antes.
Janeiro de 2020
No início de janeiro de 2020, o principal comandante militar do Irã, general Qasem Soleimani, foi morto por um ataque de drones no Iraque. Os EUA assumiram a autoria e, em resposta, o Irã prometeu se vingar, retirando-se prontamente do acordo nuclear de 2015.
Alguns dias depois, o Irã lançou de dentro do seu território dezenas de mísseis em bases militares americanas no Iraque, colocando em prática a Operação Mártir Soleimani. O país assumiu o ataque e informou que o mesmo foi realizado em retaliação à ação que culminou na morte de Qasem Soleimani.
Os EUA informaram que os ataques não resultaram em perdas humanas nem em grandes danos às instalações. No entanto, o Irã afirmou que ao menos 80 soldados inimigos foram mortos em decorrência do ataque, mas essa informação não foi confirmada.
Guerra entre Irã e EUA: é uma possibilidade?
Após as ameaças de vingança vindas através do líder supremo e das forças de segurança do Irã, o governo dos EUA aconselhou os cidadãos americanos a deixar o Irã o mais rápido possível por vias aéreas ou terrestres.
O fato é que o clima tem se mantido tenso e instável desde então, dando base para diversas opiniões, posicionamentos e teorias. Não é fácil para os demais países envolvidos direta ou indiretamente com os EUA e o Irã se manter neutros diante do cenário atual.
Mas as nações sabem que é preciso medir as palavras e agir com cautela para evitar sofrer retaliações e sentir duras consequências econômicas, diplomáticas ou quem sabe até sofrer perdas significativas por manifestar um certo posicionamento que venha a desagradar uma das partes envolvidas no conflito.
Guerra entre Irã e EUA: como pode influenciar o Brasil?
Em 2019, o Brasil exportou um volume total de US$ 2,1 bilhões para o Irã, tendo um saldo positivo de mais de US$ 2 bilhões na balança comercial. Ou seja, a relação entre os dois países foi muito lucrativa para o Brasil.
Além disso, nesse mesmo ano o Irã foi o segundo maior comprador de milho brasileiro, o quinto maior importador de soja e o sexto maior comprador de carne bovina brasileira, segundo dados do Ministério da Economia. Isso mostra de maneira mais clara o relevante papel comercial desempenhado pelo Irã nos resultados favoráveis do agronegócio brasileiro.
Segundo estudiosos da área, caso as relações entre Brasil e Irã se desgastem, o setor de exportação brasileiro pode sair prejudicado por embargos impostos pelo então parceiro comercial.
No entanto, não se deve desconsiderar como o Irã geralmente se posiciona em casos parecidos. Mesmo quando há desacordos políticos e diplomáticos, o país costuma ser pragmático e manter as relações comerciais, não promovendo retaliações no setor de exportação.
Destaca-se também a postura diplomática ambivalente do Irã, além da emissão de sinais e aplicação de passos intermediários antes de empregar ações impactantes. No cenário atual, um sinal dado pelo Irã ao Brasil foi a convocação da diplomata brasileira em Teerã para dar explicações a respeito do posicionamento dado pelo Itamaraty diante das ações estadunidenses recentes.
É fato que as relações comerciais e econômicas entre Irã e Brasil têm apresentado aumento e sido significativas nos últimos anos. Da parte do Irã, há expectativas positivas quanto ao futuro da parceria. Mas o que podemos esperar do Brasil, afinal? Será que é do interesse do governo Bolsonaro sustentar essa relação apesar dos posicionamentos americanos?
Não seria uma surpresa se o Brasil optasse por se alinhar aos EUA e assim estabelecer uma relação hostil com o Irã, abrindo mão dos resultados positivos conquistados com o país até então.
O presidente Jair Bolsonaro, assim como seu filho Eduardo Bolsonaro e o Ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo já demonstraram diversas vezes ter opiniões e posicionamentos bastante semelhantes aos do presidente americano Donald Trump, inclusive nas questões envolvendo o Irã.
O direcionamento de uma nação não segue apenas as opiniões pessoais dos membros do governo, mas também é influenciado por circunstâncias, fatos, possibilidades, oportunidades e eventos inesperados.
Portanto, em uma possível guerra entre Irã e EUA, pode-se esperar do Brasil não apenas medidas radicais ou alinhamento automático com os EUA, mas também mudanças de ponto de vista e soluções alternativas para minimizar impactos negativos na economia brasileira.
Analisar o histórico da conturbada relação entre EUA, Irã e seus respectivos aliados e acompanhar a escalada de tensão entre os dois países pode trazer certa medida de preocupação e medo a respeito de uma guerra entre Irã e EUA.
É difícil fazer previsões, visto que existem muitas informações não divulgadas e alguns temas que permeiam o conflito são bastante complexos. Além disso, diversos fatos podem ocorrer de modo inesperado, alterando assim o panorama global, as prioridades e o foco das nações.
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